Cruzeiro do Sul - Acre, segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Publicado em 17 de abril de 2016

Quase um ano depois PC não sabe quem furtou 40 kg de drogas da Delegacia de Cruzeiro do Sul

delegacia de cruzeiro do sul destaqueA Corregedoria de Policia Civil nega, mas o furto de 40 kg de drogas da Delegacia de Cruzeiro do Sul ocorrido há 8 meses caminha para lista de crimes insolúveis, embora os autores tenham deixado suspeitas suficientes para a investigação que ainda está em curso. Habilidade dos criminosos – entre eles agentes de polícia suspeitos – falta de recursos ou incompetência dos investigadores?

Para entender o caso:

O caso veio à baila no dia 14 de agosto do ano passado, mas a Policia Civil (PC) não sabe a data certa que a droga sumiu de dentro da Delegacia. O corregedor de Policia Civil, Josemar Portes, esteve no local do crime e lidera a investigação junto com o delegado Alcino Vinicius.

O produto de furto – cerca de 40 kg de drogas – foi apreendido em uma operação da Policia na BR 364, trecho entre os municípios de Tarauacá e Cruzeiro do Sul. Porém, isso é tudo que se sabe ou que foi divulgado sobre o caso.

Em entrevista exclusiva ao Ac24horas esta semana, o corregedor da PC, Josemar Portes, considerou o crime como uma ação grave, confirmou a participação de agentes da Polícia no caso e considerou o crime como de difícil elucidação.

DROGA_04“Sabe-se que a droga sumiu, mas esse é um produto que não tem código de barras. Ai um dos fatos que torna a investigação minuciosa. Essa droga pode até já ter sido apreendida em outras operações, com outros autores” comentou o corregedor.

A investigação – ainda de acordo o corregedor, a PC pediu a quebra de sigilos bancários e telefônicos dos suspeitos e tem agido dentro dos mecanismos que o fato requer, inclusive com a realização de oitivas e medidas drásticas.

“Não podemos adiantar muita coisa porque atrapalharia nas investigações, mas chegaremos em breve aos autores desse crime” acrescentou Portes.

A Polícia sabe que a ação foi planejada e muito bem arquitetada, as provas estão pelo horário e o dia em que aconteceu o furto. Segundo o corregedor, quem se envolveu nessa operação tinha conhecimento profundo sobre o fluxo e a rotina da Delegacia.

“Não tinha dia e horário mais adequado do que aquele em que se realizou a operação” adiantou o corregedor.

Para a Corregedoria da Policia Civil elucidar o caso é uma questão de honra para que não prevalece a impunidade em uma região conhecida como verdadeiro paraíso para o tráfico de drogas. O furto de 40 kg de drogas de dentro da Delegacia pode estar relacionado à rota internacional estabelecida por peruanos e colombianos vizinhos.

“A Polícia trabalha com todas as linhas de investigação para elucidar este caso”, concluiu o corregedor.

Fronteira aberta – A imensa fronteira do Juruá é uma espécie de paraíso para o crime organizado pelos vizinhos peruanos e colombianos que aos poucos, devido a fiscalização ineficiente, vão transformando a área numa das maiores de tráfico internacional de drogas.

Recentemente, durante avaliação sobre a ‘Operação Traíra’ no 61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS), em Cruzeiro do Sul (AC) o general Guilherme Theóphilo fez críticas ao governo federal e ao Ministério da Justiça, alegando falta de estrutura e recurso para realizar operações nas fronteiras:

DROGA_02“Não consegui que o governo federal olhasse para a nossa Amazônia com outros olhos. Falta estrutura e recurso, não só para as Forças Armadas, mas também para as polícias e Corpo de Bombeiros. O desejo é que os órgãos de segurança, juntamente com o Ministério da Justiça sejam mais efetivos e eficazes no combate aos crimes transfronteiriços”, destacou o general durante entrevista coletiva.

A rota do tráfico – Antes, o Rio Môa era uma das principais rotas do tráfico, mas com a instalação de um pelotão do Exército, os traficantes desviam antes da base militar para o Rio Paraná dos Mouras, através de trilhas que ligam os rios.

Esses fatos foram revelados por moradores da região ao ac24horas durante reportagem feita no Rio Azul e em visitas às comunidades Foz do Breu – última fronteira por água com o Peru – e na Vila Restauração, ambas localizadas pertencentes ao Município de Marechal Thaumaturgo, no Acre.

Eles abrem trilhas para chegar ao Rio Paraná dos Mouras. As trilhas ficam próximas a ramais dos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Os rios Juruá Mirim e Paraná dos Mouras, afluentes do Juruá, são as rotas mais utilizados pelos traficantes. Mas é o Juruá Mirim, que deságua no Juruá nas proximidades da sede do município de Porto Walter, o preferido dos cartéis da droga. E devido à ação dos traficantes, muita gente evita navegar pelas águas barrentas desses rios.

A lei do silêncio na selva – no meio da floresta amazônica, nas linhas hidroviárias consideradas de alto risco de navegação onde os agentes do tráfico transitam fortemente armados, o que prevalece é a lei do silêncio, ribeirinhos, seringueiros assistem a movimentação calados e praticamente isolados.

Fonte:ac24horas-Jairo Carioca

 

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